grafite eletro http://lecypereira.nireblog.com Mon, 29 Jun 2009 02:55:52 +0300 grafite eletro http://static.nireblog.com/imagenes/logo.png http://lecypereira.nireblog.com http://nireblog.com Lado de fora http://lecypereira.nireblog.com/post/2007/06/18/lado-de-fora http://lecypereira.nireblog.com/post/2007/06/18/lado-de-fora Lado de fora

 

Eu estou dentro de um poema

IN  MUNDO

Eu estou dentro de um poema

AB  SURDO

Eu estou dentro de um poema

DECODIFICADO

Eu estou dentro de um poema

DIGITALIZADO

Eu estou dentro de um poema

MALMALMALMALMALMALMA

Eu estou dentro de um poema

DIGRESSIVO-REPETITIVO

Eu estou dentro de um poema

ENFIM RASGADO RASGADO

RASGADORASGADORASGA!

RASG!RASG!RASG!RASG!

                                    

Lecy Pereira Sousa

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Mon, 18 Jun 2007 14:44:03 +0300
Faça um eletro http://lecypereira.nireblog.com/post/2007/06/17/faca-um-eletro http://lecypereira.nireblog.com/post/2007/06/17/faca-um-eletro

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Sun, 17 Jun 2007 05:14:06 +0300
Os Descaminhos da Melancolia III http://lecypereira.nireblog.com/post/2007/06/17/os-descaminhos-da-melancolia-iii http://lecypereira.nireblog.com/post/2007/06/17/os-descaminhos-da-melancolia-iii Os descaminhos da melancolia III

 

Talvez fosse melhor nos atermos ao significado mais literário da palavra crônica, mas a vida, principalmente essa da correria desenfreada e da banda larga, tem preferido o significado, digamos, mais pejorativo dessa palavra.

 

E pensar que houve um tempo em que almoçar e jantar eram atos cerimoniosos e sem a menor pressa. A vida era destilada em horas de alimentação e a reunião de pessoas numa residência para dialogarem era um verdadeiro happening. Não. Eu não sou desse tempo, bem menos deste. Também não me vejo tomado por uma falsa e ordinária nostalgia.

 

A brevidade das horas cuida de nos adoecer. Precisamos correr muito, afinal, o mundo está acabando e correr é uma maneira de fazer mais coisas antes do fim do mundo, não é verdade?

 

Acontece de sobrar um tempinho que não está previsto nas horas de serviço assalariado. Assim, eu posso fazer uma fogueirinha no quintal, queimar capim ressecado e alguns gravetos crepitantes. Também olho para um pé de tangerina que neste ano bateu recorde de suicídio de frutas. Tantas foram as quedas voluntárias que nem Isaac Newton ficaria mais surpreso. Depois observo um pé de graviola e uma dança de pardais em sua copa. Alguns escolhem o galhinho mais frágil e perigoso e lá ficam se coçando e dizendo: repare em nossa leveza. Nós podemos, você não pode!

 

Assim, recolho-me a uma visível limitação. Sem esse papo de filosofia tediosa, nada de autopiedade, Também não costumo ouvir OK, COMPUTER do Radiohead para curtir depressão. Os remanescentes dos anos setenta do século Vinte diriam: fossa.

 

Para não terminar essa crônica de maneira crônica, eu continuo achando que todos os dias são como domingo. Mas como diria uma banda de rock desconhecida: eu acredito no amanhã.


 

Lecy Pereira Sousa

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Sun, 17 Jun 2007 01:16:06 +0300
A Carta da Terra http://lecypereira.nireblog.com/post/2007/04/09/a-carta-da-terra http://lecypereira.nireblog.com/post/2007/04/09/a-carta-da-terra

A Carta da Terra

Preâmbulo

Princípios

O Caminho Adiante

Preâmbulo

Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que, nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações.

Terra, Nosso Lar
A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, está viva com uma comunidade de vida única. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade da vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todas as pessoas. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.

A Situação Global
Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental, redução dos recursos e uma massiva extinção de espécies. Comunidades estão sendo arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos eqüitativamente e o fosso entre ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e é causa de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.

Desafios Para o Futuro

A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais dos nossos valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que quando as necessidades básicas forem atingidas, o desenvolvimento humano é primariamente ser mais, não, ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos ao meio ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano. Nossos desafios, ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados, e juntos podemos forjar soluções includentes.

Responsabilidade Universal
Para realizar estas aspirações devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com toda a comunidade terrestre bem como com nossa comunidade local. Somos ao mesmo tempo cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual, a dimensão local e global estão ligadas. Cada um comparte responsabilidade pelo presente e pelo futuro, pelo bem estar da família humana e do grande mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo presente da vida, e com humildade considerando o lugar que ocupa o ser humano na natureza. 

Necessitamos com urgência de uma visão de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à emergente comunidade mundial. Portanto, juntos na esperança, afirmamos os seguintes princípios, todos interdependentes, visando um modo de vida sustentável como critério comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas de negócios, governos, e instituições transnacionais será guiada e avaliada.

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Princípios

I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DE VIDA
1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.
a. Reconhecer que todos os seres são interligados e cada forma de vida tem valor, independentemente do uso humano.
b. Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.

2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.

a. Aceitar que com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais vem o dever de impedir o dano causado ao meio ambiente e de proteger o direito das pessoas.
b. Afirmar que, o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder comporta responsabilidade na promoção do bem comum.

3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.

a. Assegurar que as comunidades em todos níveis garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais e dar a cada a oportunidade de realizar seu pleno potencial.
b. Promover a justiça econômica propiciando a todos a consecução de uma subsistência significativa e segura, que seja ecologicamente responsável.

4. Garantir a generosidade e a beleza da Terra para as atuais e as futuras gerações.

a. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras.
b. Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que apoiem, a longo termo, a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra.

Para poder cumprir estes quatro extensos compromissos, é necessário:

II. INTEGRIDADE ECOLÓGICA
5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial preocupação pela diversidade biológica e pelos processos naturais que sustentam a vida.
a. Adotar planos e regulações de desenvolvimento sustentável em todos os níveis que façam com que a conservação ambiental e a reabilitação sejam parte integral de todas as iniciativas de desenvolvimento.
b. Estabelecer e proteger as reservas com uma natureza viável e da biosfera, incluindo terras selvagens e áreas marinhas, para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e preservar nossa herança natural.
c. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas em perigo.
d. Controlar e erradicar organismos não-nativos ou modificados geneticamente que causem dano às espécies nativas, ao meio ambiente, e prevenir a introdução desses organismos daninhos.
e. Manejar o uso de recursos renováveis como a água, solo, produtos florestais e a vida marinha com maneiras que não excedam as taxas de regeneração e que protejam a sanidade dos ecossistemas.
f. Manejar a extração e uso de recursos não renováveis como minerais e combustíveis fósseis de forma que diminua a exaustão e não cause sério dano ambiental.

6. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e quando o conhecimento for limitado, tomar o caminho da prudência.
a. Orientar ações para evitar a possibilidade de sérios ou irreversíveis danos ambientais mesmo quando a informação científica seja incompleta ou não conclusiva.
b. Impor o ônus da prova àqueles que afirmam que a atividade proposta não causará dano significativo e fazer com que os grupos sejam responsabilizados pelo dano ambiental.
c. Garantir que a decisão a ser tomada se oriente pelas conseqüências humanas globais, cumulativas, de longo termo, indiretas e de longa distância.
d. Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permitir o aumento de substâncias radioativas, tóxicas ou outras substâncias perigosas.
e. Evitar que atividades militares causem dano ao meio ambiente.

7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.
a. Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos.
b. Atuar com restrição e eficiência no uso de energia e recorrer cada vez mais aos recursos energéticos renováveis como a energia solar e do vento.
c. Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência eqüitativa de tecnologias ambientais saudáveis.
d. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar aos consumidores identificar produtos que satisfaçam as mais altas normas sociais e ambientais.
e. Garantir acesso universal ao cuidado da saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.
f. Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e o suficiente material num mundo finito.

8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover a troca aberta e uma ampla aplicação do conhecimento adquirido.
a. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada à sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento.
b. Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual em todas as culturas que contribuem para a proteção ambiental e o bem-estar humano.
c. Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a proteção ambiental, incluindo informação genética, estejam disponíveis ao domínio público.

III. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA
9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social, econômico e ambiental.
a. Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, aos solos não contaminados, ao abrigo e saneamento seguro, distribuindo os recursos nacionais e internacionais requeridos.
b. Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma subsistência sustentável, e dar seguro social [médico] e segurança coletiva a todos aqueles que não são capazes de manter-se a si mesmos.
c. Reconhecer ao ignorado, proteger o vulnerável, servir àqueles que sofrem, e permitir-lhes desenvolver suas capacidades e alcançar suas aspirações.

10. Garantir que as atividades econômicas e instituições em todos os níveis promovam o desenvolvimento humano de forma eqüitativa e sustentável.

a. Promover a distribuição eqüitativa da riqueza dentro e entre nações.
b. Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos e sociais das nações em desenvolvimento e aliviar as dívidas internacionais onerosas.
c. Garantir que todas as transações comerciais apoiem o uso de recursos sustentáveis, a proteção ambiental e normas laborais progressistas.
d. Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais atuem com transparência em benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas conseqüências de suas atividades.

11. Afirmar a igualdade e a eqüidade de gênero como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, ao cuidado da saúde e às oportunidades econômicas.

a. Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com toda violência contra elas.
b. Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida econômica, política, civil, social e cultural como parceiros plenos e paritários, tomadores de decisão, líderes e beneficiários.
c. Fortalecer as famílias e garantir a segurança e a criação amorosa de todos os membros da família.

12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social, capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar espiritual, dando especial atenção aos direitos dos povos indígenas e minorias.
a. Eliminar a discriminação em todas suas formas, como as baseadas na raça, cor, gênero, orientação sexual, religião, idioma e origem nacional, étnica ou social.
b. Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade, conhecimentos, terras e recursos, assim como às suas práticas relacionadas a formas sustentáveis de vida.
c. Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os para cumprir seu papel essencial na criação de sociedades sustentáveis.
d. Proteger e restaurar lugares notáveis, de significado cultural e espiritual.

IV.DEMOCRACIA, NÃO VIOLÊNCIA E PAZ
13. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e proporcionar-lhes transparência e prestação de contas no exercício do governo, a participação inclusiva na tomada de decisões e no acesso à justiça.
a. Defender o direito a todas as pessoas de receber informação clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e atividades que poderiam afetá-las ou nos quais tivessem interesse.
b. Apoiar sociedades locais, regionais e globais e promover a participação significativa de todos os indivíduos e organizações na toma de decisões.
c. Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de assembléia pacífica, de associação e de oposição [ ou discordância].
d. Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos administrativos e judiciais independentes, incluindo mediação e retificação dos danos ambientais e da ameaça de tais danos.
e. Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas.
f. Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus próprios ambientes e designar responsabilidades ambientais a nível governamental onde possam ser cumpridas mais efetivamente.

14. Integrar na educação formal e aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável.
a. Oferecer a todos, especialmente a crianças e a jovens, oportunidades educativas que possibilite contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável.
b. Promover a contribuição das artes e humanidades assim como das ciências na educação sustentável.
c. Intensificar o papel dos meios de comunicação de massas no sentido de aumentar a conscientização dos desafios ecológicos e sociais.
d. Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma subsistência sustentável.

15. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração.

a. Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e diminuir seus sofrimentos.
b. Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca que causem sofrimento externo, prolongado o evitável.

16. Promover uma cultura de tolerância, não violência e paz.

a. Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as nações.
b. Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e usar a colaboração na resolução de problemas para manejar e resolver conflitos ambientais e outras disputas. 
c. Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até chegar ao nível de uma postura não-provocativa da defesa e converter os recursos militares em propósitos pacíficos, incluindo restauração ecológica.
d. Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em massa. 
e. Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico mantenha a proteção ambiental e a paz.
f. Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte.

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O Caminho Adiante 

Como nunca antes na história, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Tal renovação é a promessa dos princípios da Carta da Terra. Para cumprir esta promessa, temos que nos comprometer a adotar e promover os valores e objetivos da Carta.

Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável aos níveis local, nacional, regional e global. Nossa diversidade cultural é uma herança preciosa, e diferentes culturas encontrarão suas próprias e distintas formas de realizar esta visão. Devemos aprofundar e expandir o diálogo global gerado pela Carta da Terra, porque temos muito que aprender a partir da busca iminente e conjunta por verdade e sabedoria. 

A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. Isto pode significar escolhas difíceis. Porém, necessitamos encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade, o exercício da liberdade com o bem comum, objetivos de curto prazo com metas de longo prazo. Todo indivíduo, família, organização e comunidade têm um papel vital a desempenhar. As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, os meios de comunicação, as empresas, as organizações não-governamentais e os governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa. A parceria entre governo, sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade efetiva. 

Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir com suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento internacional legalmente unificador quanto ao ambiente e ao desenvolvimento. 

Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação da luta pela justiça e pela paz, e a alegre celebração da vida.

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Mon, 09 Apr 2007 15:02:01 +0300
As incertezas de Um e Outro http://lecypereira.nireblog.com/post/2007/04/04/as-incertezas-de-um-e-outro http://lecypereira.nireblog.com/post/2007/04/04/as-incertezas-de-um-e-outro

As Incertezas de Um e Outro 

Quando Um e Outro se deram conta de que nalgum lugar estavam, perceberam que se tratava de uma escada.


O problema era que, de onde estavam, não cabia retorno já que o suposto ponto de fuga muito se distanciava do alcance das vistas deles. Aliás, quem sabia de algum ponto de fuga? Outro fator complicador era que, para adiante não havia qualquer sinal de se chegar a lugar algum.


Assim, Um olhou fixamente para Outro, temendo externar suas emoções. Antes pensou não permitir que, em hipótese alguma, Outro soubesse do medo, digo, pavor que de si apossava. E se Outro disparasse escada abaixo e ali o deixasse? Não teria pernas e nem fôlego bastantes para alcançá-lo. Restaria o desespero, a solidão. E que lugar era aquele que nem de cenários laterais dispunha? O que se viam eram incontáveis degraus para trás e a mesma quantidade para frente, degrau após degrau. 
Temendo parecer inconveniente e, ao mesmo tempo, perdê-lo de vista, Um perguntou a Outro onde estavam. Para quê?


Outro, indicando que usaria, sem demora, seu senso de humor, olhou para Um com olhos escancaradamente abertos. Depois se virou, levemente, divisando os incontáveis degraus traseiros. A seguir, olhou para outros incontáveis degraus à frente, sem parar de trocar os passos. Direita, esquerda. Direita, esquerda. Foi a conta. Outro disparou a rir, melhor, gargalhar. E seu estardalhaço ecoava escada abaixo e acima e era como se uma multidão fantasmagórica risse da ingenuidade de Um.


Outro tanto se riu, tanto se riu que lacrimejou e molhou a própria calça. Daí olhou para Um e perguntou se ele estava ouvindo algum som jazzístico de saxofone e vendo lindas garotas sentadas em posições para lá de sexy, mordendo os lábios regados a batom molhado e os convidando com o dedo indicador, dizendo vem-vem, para algo mais? Para emendar, Outro disse a Um que se soubesse onde era aquele lugar, simplesmente mandaria descer uma cerveja gelada e uma porção de coraçõezinhos de galinha bem passados e, sem dúvida, aquilo era coisa de autor com tempo de sobra para manipular personagens e se ele encontrasse a figura em seu caminho... Outro babou de raiva e começou a rolar escada abaixo. Um pensou tratar-se de um truque de Outro para o deixar ali, covardemente. Seu coração disparou. O ritmo das batidas se normalizou quando Um ouviu Outro, cheio de escoriações, prosseguir com sua filosofia:


- É exatamente como eu estou lhe dizendo. É muito fácil criar uma escada sem focar seu início ou seu fim, ilustrar as laterais com ausência de cor e colocar dois fantoches, quer dizer, personagens sem uma história passada-presente-futura. Ninguém sabe como estamos vestidos, se somos altos-baixos-magros-gordos ou temos tiques nervosos. Deve-se tratar de um desses escritores que fracassaram no teatro e vivem querendo imitar os grandes mestres do teatro do absurdo. E quem acaba pagando o pato? Duas figuras risíveis trocando passos numa escada sem fim.


Visivelmente abalado Um observou:


- O que me assombra é que se a escada não finda, findamos nós.


Outro balançou a cabeça negativamente e acrescentou:


-Francamente, crise existencial a essa altura da história... Relaxe Um. Pelo que sei, se há uma coisa que escritor sem argumento adora fazer é eliminar algum personagem para garantir um certo clímax na história. Eu estou farto de ler contos nos quais o autor se vale desse recurso fácil e mórbido. Certamente, um de nós deve estar na alça de mira do autor desta história. Talvez, Um e Outro também.


Tomado por um febril desespero, Um propôs a Outro:


-Olha, se realmente existe um autor que faz de nós o que bem entende e nos condenou a esses degraus contínuos, por que não nos sentamos agora e esperamos pelo fim?


Ao perceber uma certa intenção de desistir em seu companheiro, Outro fingiu concordar com a proposta de Um. Quando Um sentou-se completamente desanimado, Outro lhe desejou boa sorte e correu como nunca. Ele ansiava por uma saída que nunca se aproximava. Então, a câmera foi posicionada no alto, exibindo uma cena formidável. Enquanto Um tomado pela tristeza esperava o fim, encolhido num degrau, Outro corria, loucamente, tentando chegar nalgum lugar distante e improvável.


A última cena daquele filme em curta metragem estava pronta.
 
 

Lecy Pereira Sousa 

Míni-Curriculo:

Lecy Pereira Sousa, 37, escriba masculino, blogueiro, participou da fundação da Academia Contagense de Letras - ACL e trabalha como Auxiliar de Biblioteca escolar. Atualiza o blog www.suitedasletras.uniblog.com.br  

e-mail: lecysousa@gmail.com

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Wed, 04 Apr 2007 15:34:57 +0300
Dilema do eletropoema de um fôlego só http://lecypereira.nireblog.com/post/2007/03/22/dilema-do-eletropoema-de-um-folego-so http://lecypereira.nireblog.com/post/2007/03/22/dilema-do-eletropoema-de-um-folego-so Dilema do eletropoema de um fôlego só

...até que minha memoria rude mentar desemboque em particulas particulares elétricas recheadas de significados latentes prossigo noticiando o amor de ontem de noite onde todos nós nus misturamos sem vergonha na cara transando de trenzinho tântrico cada um por sua vez no seu quarto na sua sala cozinha copa wc até  ao ar livre devo noticiar/ Bem e mal desconheço quando como uma maçã com você dentro às vezes chamo atenção faço algum sentido quase sempre tudo nem te ligo me expresso nessa luz impulsiva impossível explosiva raivosa romântica quando o luar chegar e partir e o sol levantar sair alguém estará me lendo na praça olhando para certa altura de um prédio enquanto noticio seis dezenas da loteria temperatura mínima dezenove máxima vinte e nove/Caiu o índice da bolsa de valores mulher mata homem por amor homem se joga no arranha-céu fotos recentes do telescópio Hubble mostram o nascimento e a morte de uma estrela/Sex Shop Five Star pomada anestésica celulares vibradores tudo para seu prazer/Vidente diz sorridente estar próximo o fim do mundo em cadeia internacional/Morre outra vítima da falta de amor/Robôs se preparam para votar em novo presidente enquanto a vaca caminha decidida para o brejo/Tudo se passa em mim sem lirismo algum até que um raio parta as notícias pelo céu de baunilha até que minhas luzinhas parem de enganar os olhos alheios e passem a esclarecer galáxias continuarei passando numa tela eletrônica de um prédio de concreto armado sem sutilezas...


Lecy Pereira Sousa

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Thu, 22 Mar 2007 22:14:35 +0300
Lançamento da Hipotéca http://lecypereira.nireblog.com/post/2007/03/16/lancamento-da-hipoteca http://lecypereira.nireblog.com/post/2007/03/16/lancamento-da-hipoteca Lançamento do livro de poemas HIPOTECA de João Valadares

Domingo, dia 18 de março, às 20h, no Auditório da Casa da Cultura de Sete Lagoas


Todos nós temos a vida hipotecada ao nascer. Nesse dia assumimos uma dívida com Deus, com os familiares, com os futuros amigos e com a sociedade em geral. As cobranças virão por toda parte e, sem termos a chance de dizer não, assumiremos compromissos e ocupações. O convívio social faz com que essa dívida aumente até que para alguns se torne insuportável.  Por outro lado, estar no mundo e conviver com as pessoas é a única forma de ir pagando a dívida. Cada um tem sua forma de faze-lo e para mim cada poema é uma promissória: “Se os loucos fizessem poesias, não seriam tão dementes. O papel virgem chupa um bocado da tristeza. Cada um faria o seu livro e seria mais humano...”.
Para escolher a capa do livro foi proposto um concurso de imaginação. Através do site cultural www.inquietando.com dei aos leitores uma espécie de roteiro  poético que serviria como ponto de partida para que pessoas comuns, com ou sem dotes artísticos, colocassem a imaginação para funcionar. O resultado deveria ir para o papel em forma de rabisco, como um esboço da idéia. Dessa forma “todo leitor é um artista em potencial, um arquiteto da essência humana”.
A ilustração do primeiro colocado foi utilizada para a confecção da capa do livro Hipoteca, além de receber uma quantia em dinheiro no valor de R$200,00. Todos os outros desenhos inscritos no concurso de imaginação serão expostos no dia do lançamento do livro como parte integrante da escultura do artista plástico Roberto Monteiro.

*Lembrando que Hipoteca nada tem a ver com uma biblioteca de hipopótamos.

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Fri, 16 Mar 2007 15:04:41 +0300
O Pão Nosso de Cada Dia http://lecypereira.nireblog.com/post/2007/03/16/o-pao-nosso-de-cada-dia http://lecypereira.nireblog.com/post/2007/03/16/o-pao-nosso-de-cada-dia O pão nosso de cada dia

O pão nosso de cada dia
O pão nosso de cada dia é um trabalho experimental publicado por Lecy Pereira Sousa na Casa da Cultura "Nair Mendes Moreira" em contagem(2004). São vários poemas soltos dentro de um saco de pão pesando exatamente 10 gramas.
Quem se interessar pelo pacote pode fazer contato com o autor pelo e-mail lecysousa@gmail.com

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Fri, 16 Mar 2007 14:00:25 +0300
Fatos Fundamentais http://lecypereira.nireblog.com/post/2007/03/16/fatos-fundamentais http://lecypereira.nireblog.com/post/2007/03/16/fatos-fundamentais Fatos Fundamentais

fatos fundamentais
uma mais um
veja no que deu
fatos perpetuados
uma vezes um
fatos multiplicados
veja no que deu
um divide dois
fatos fragmentados
um menos um
fatos subtraidos
veja no que deu.

Lecy Pereira Sousa

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Fri, 16 Mar 2007 12:28:28 +0300