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Arquivo: Setembro 2009

Sonho de gueto

lecy 22/09/2009 @ 15:01

Quero ser feliz no gueto onde eu nasci

É sabido que os níveis do déficit de moradia é um dos índices

mais nefasto nas nossas grandes cidades. O povo abandona o

campo e vem morar nas cidades – debaixo dos viadutos, ou nas

favelas. É o conhecidíssimo “êxodo rural” - para o qual a solução

é única: REFORMA AGRÁRIA.

Aqueles que não conseguem moradia digna logo se sujeitam

(e se adaptam!) aos barracos sub-humanos de um 'conglomerado',

uma (sejamos politicamente incorretos) favela, nome ou

eufemismo para Senzala. Enquanto as elites habitam seus

apartamentos duplex com cobertura e seus condomínios, ou seus

castelos medievais; os pobres e miseráveis, humilhados e ofendidos,

precisam co-abitar em barracas de lona, entre quatro paredes de

tijolos nuas e argamassa crua.

É a falta de espaço e dignidade, enquanto meia dúzia de fidalgos,

senhores feudais são donos (nominais) de terras que sequer

conhecem! Donos de metade do estado do Pará! Donos do Maranhão!

Donos das Alagoas! E famílias inteiras obrigadas a compartilharem

um quarto! É esse o nosso BRASIL PARA TODOS ??

Então os oprimidos e explorados se aglomeram em senzalas (as

favelas) e precisam aceitar esta condição. As elites dizem que é

assim mesmo: falta loteamentos, falta infra-estrutura (exceto,

obviamente, para as elites!) Precisam aceitar e alegremente.

Viver no guetto e ser feliz. Cômico se não fosse trágico. Ao contrário

de garantir moradia digna nas cidades – ou distribuir as terras, para

os camponeses continuarem no campo – as elites armam seus

'esquemas ilusórios' e mercantilizam o guetto.

Sim, os donos do mercado comercializam o gueto! Programas de

adaptação dos favelados à condição de... favelados! “Quero ser feliz

na favela onde eu nasci!” eis o hino da nova geração de favelados

(pelo menos daqueles que sobrevivem.) Já que existem as favelas

(e vão durar muito tempo ainda, no atual sistema!) vamos ao menos

glamourizar o lugar. Vamos divulgar as artes, incentivar os meninos

do hip-hop, do reggae, deixar que falem, sem mudar muita coisa

(a menos que o menino for criminoso e sobreviver OU virar jogador

de futebol, e sair da favela rumo ao estrelato milionário...)

A favela é legal. Dizem (as Elites, claro) e glorificam a 'arte das

margens', os artistas marginalizados (até o Palácio das Artes abre

as portas...), de forma que a Arte legitima o guetto. Culpa da Arte?

Não, esta bem serve aos propósitos da Casa-Grande: instrumentaliza

o 'pão e circo' da Senzala, promove rodinhas de samba e capoeira.

Depois inventa umas cotas raciais para aliviar a pressão. Os

nazistas não fariam melhor.

A glamourização da favela – na música, no cinema, na literatura –

está para além do risível, está no absurdo e no caricatural. Imaginemos

os nazistas glamourizando o Guetto de Warsaw (Varsóvia). Os artistas,

antes de descerem aos fornos crematórios, vão tocando belas sonatas

de Chopin. Que glamour. (Nos KZ – campos de concentração – os alto-

falantes tocavam Beethoven!!)

Assim, ao contrário de acabarem com as favelas, e proceder ao

loteamento dos latinfúndios, as elites inventam vários programas

assistencialistas, paternalistas, varguistas, pão-e-circo, tudo o que os

fascistas adoram! O povo domesticado e doutrinado – anestesiados

pelos padres e pastores vendendo loteamentos no Paraíso Celeste! -

enquanto os pobres sobrevivem e se reproduzem, e se chacinam e são

chacinados, nas senzalas pós-modernas com televisão a cabo e

parabólicas.

O governo do Estado de Minas Gerais inventa, por sua vez, seus

assistencialismos – o que o Governador não faria para poder chegar

ao Palácio do Planalto? - com o sugestivo título de VOZES DO MORRO,

como a dizer: vejam, estamos dando voz aos excluídos! Vejam, como

somos bondosos: deixamos o povo falar. Mas falar o que? O que já está

pré-aprovado nos regulamentos, que interessa ser divulgado – ou

cooptado (pois não a MTV não tentou 'comprar' os Racionais?)

Principalmente o : “Quero ser feliz na favela onde eu nasci”. Se há

o hip-hop engajado, de protesto, há também a contra-partida, o ópio

(ou lixo) sonoro, o vulgo funk (nada semelhante ao funk made in USA!

Viva James Brown!), que não passa de uma batida eletrônica com

pseudo-vocais, pseudo-cantando, uns chavões sexistas e com

coreografia de ato sexual (de preferências as fêmeas já semi-nuas e

os machos de calções mais folgados, confortáveis...)

E depois o funk torna-se a vingança da senzala: os meninos e meninas

das casas-grandes passam também a ouvir (digo: consumir) o tal funk,

e se entregam a orgias nas classes médias, sempre ouvindo a voz

do morro, assim como os fidalgos ouviam samba nos terreiros

(devidamente anônimos...), e deixam seus carros do ano, super-

tecnológicos, com sons em potência máxima entoando as vozes do

morro... “Quero ser feliz na favela onde eu nasci

Os nazistas teriam adorado a ideia: nada de exterminar o ghetto:

vamos fazê-los dançar até cairem de fadiga! Fazê-los rebolar e cantar

até o desmaio final! Fazê-los felizes enquanto agonizam! Depois a

gente roda um filme para a glória da 'raça eleita', ou da elite eleita.

De repente, a Arte legitima o guetto. De tens fome, vais ouvir o

álbum do Racionais e matas a necessidade com uma boa dose de

fúria e ressentimento. E se não bastar, pode-se comprar um dose de

pó – nem sempre refinado – mas suficiente para uma viagem –

muitas vezes sem retorno.

E vamos viver felizes nos guetos onde infelizmente nascemos.

Set/09

Leonardo de Magalhaens


um trecho de artigo na internet

A numeralha é monstruosa. Pesquisadores se debruçaram sobre o mapa de homicídios no país para extrair o número de uma tragédia anunciada: 33 mil jovens e adolescentes serão assassinados no Brasil até 2012, se nada for feito para deter a matança. Seria o caso para intervenção preventiva de tropa de paz da ONU, mas infelizmente esses virtuais cadáveres são praticamente invisíveis.

A pesquisa foi feita pelo Laboratório de Análise da Violência da Uerj, com base em dados do Ministério da Saúde e do IBGE, em 267 dos 5 mil municípios brasileiros com mais de cem mil habitantes.

Nessa macabra estatística, o Rio fica em 21o lugar, mas, proporcionalmente, é a terceira cidade mais violenta para a juventude pobre entre as capitais  e o primeiro lugar em número absoluto - 3.423 almas de jovens seriam ceifadas pela morte violenta até 2012 (ou seja, em três anos). O número equivale a mais de 10% do total da previsão e pouco mais da metade dos homicídios registrados por ano, no Estado do Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro continua lindo, mas muito perigoso para quem tem entre 12 e 18 anos, é pobre e vive numa favela ou na periferia. São jovens mortos por disparos de arma de fogo, em confronto com outros jovens criminosos - chamados de adolescentes em situação de conflito com a lei - alvos de grupos de extermínio ou, pior de tudo, inocentes que estavam no lugar errado e na hora errada. Muitos foram mortos pelo simples fato que não tiveram a chance de nascer em lugares menos tensos do que favelas dominadas por grupos armados, onde são mais frequentes as situações de violência de todo tipo.

Um dos parceiros da pesquisa é o Observatório das Favelas - uma ONG que nasceu na Maré e que desde o ano passado criou o Programa de Redução da Violência Letal contra Adolescentes e jovens. Se algum político já tivesse procurado saber o que é isso, talvez não fosse preciso tanto alarde para a questão da violência contra os jovens. Ela estaria sob controle. O presidente Lula reconheceu que ainda faltam muitas políticas públicas para enfrentar o problema, mas que está tentando fazer a sua parte. Só que ninguém sabe direito qual a parte que lhe cabe para interromper a profecia do extermínio.

O ponto letal dessa tragédia anunciada é que, na verdade, setores formadores de opinião da sociedade estão se lixando para esse drama. Com certeza se assustam com os números, mas não são capazes de tentar ver nomes, rostos e famílias inteiras por trás deles. Porque são incapazes de se colocar no lugar do outro. Não têm filho, muito menos adolescente, nunca foram a uma favela ou sequer abrem o vidro do carro para ver um pouco da pobreza, de passagem pela periferia, nas viagens de fim de semana. O mais seguro, pensam, é manter os vidros fechados, com insufilme, e o ar condicionado ligado.

Sucesso! All Wright Now, BH, 18 setembro

lecy 19/09/2009 @ 17:35

Foi um sucesso o show da banda IF... Pink Floyd Collection,
no tributo ao tecladista da banda PINK FLOYD, Richard (Rick)
Wright, falecido em setembro de 2008. Com produção da
OPA! Oficina de Produção Artística, o ALL WRIGHT NOW
ocupou a casa de eventos MATRIZ, no Terminal Turístico JK,
em BH, na noite de ontem, 18 de setembro.
 
Os floydmaníacos presentes encontraram raridades sonoras
em CD e vinil, além de K-7 de outrora, os itens da coleção
do especialista em FLOYD, o Mister Rodrigo Starling, poeta
e músico, o fundador e presidente da OPA!, que disponibilizou
para os convivas uma série de imagens raras da banda britânica,
como é o exemplo da belíssima “Echoes” (depois executada
ao vivo pela excelente IF... Pink Floyd Collection), com imagens
gravadas nas ruínas da cidade romana de Pompéia, destruída
por um brutal erupção do vulcão Vesúvio. 
 
Destaque para a execução primorosa do clássico álbum
“Dark Side of the Moon”, com aplausos para o vocal de Bárbara
Torquetti, na canção “The Great Gig in the Sky”, além de elogios
aos guitarristas e ao tecladistas, nos solos de "Shine on you
Crazy Diamond" ousados improvisando sobre as viajantes
tessituras melódicas do Floyd. Donos de uma performance ímpar,
uma excelente interação com o público (formado pelos seguidores
e pelas belas seguidoras da banda), a banda ocupou o palco
e premiou os floydmaníacos com 3 (!) horas de progressive
rock para lembrar e relembrar noites viajantes de outrora
(a memorável noite do I ASYD Festival, 06.01.06, é ainda
destaque – até segundo a opinião do anfitrião Edmundo,
que abriu as portas do Matriz para mais este evento da OPA!)
 
Além da música, tivemos a participação de Leonardo de
Magalhaens, poeta, e Rogério Marcus, poeta e cartunista,
em leituras de lyrics traduzidas do Pink Floyd e da carreira
solo de Rick Wright (com destaque para o melódico e
melancólico “Broken China”, de 1996, com a bela canção
“Breakthrough”, cantada por Sinead O’Connor, e aqui
interpretada por Bárbara Torquetti, merecedora de todos
os aplausos.)
 
A platéia recebeu nossos questionários de avaliação, a
ressaltarem o que está bom e o que pode melhorar, além de
concorrerem (pelo número da cartela de avaliação)  ao
sorteio de brindes ao final do evento – o livro de poemas
“Confessório Ardente” de Rodrigo Starling, ao CD da banda
Progressiva Nebula Dux e uma gravura feita pelo artista
Plástico e músico Jackson Abacatu (também Diretor da OPA!)
 
Inclusive o evento foi gravado, documentado e fotografado por
Jackson e também por Natália Santos (acompanhada pelos
amigos e convivas da PUC Minas), aos quais muito agradecemos.
 
Assim, aqui ficamos, a espera dos próximos shows viajantes
dos tributos a mais viajante das bandas progressivas, o bom e
velho Floyd........
 
 
Vida longa ao rock’n’roll!
 
O futuro está nas artes...!

 
 
Leonardo de Magalhaens
www.opart.org.br
 
Mais Pink Floyd lyrics em
Meu blog de lyrics traduzidas
: http://leolyricstraduzidas.blogspot.com

O que é uma empresa verde?

lecy 19/09/2009 @ 10:37

O termo 'sustentável' significa tanto aquilo que se pode sustentar como aquilo que é possível defender. Isso nos dá a chave para entender por que se define 'desenvolvimento sustentável' como aquele que permite que a geração atual satisfaça suas necessidades sem, para tanto, comprometer a possibilidade de que as gerações futuras façam o mesmo. Em 'A empresa verde', a autora mostra que esse conceito se aplica a todos os aspectos da atividade econômica. Cada vez mais, consumidores de todo o mundo pautam suas escolhas conforme uma série de questões - do impacto ecológico provocado pelas indústrias até as condições humanas em que se produziram os bens oferecidos pelo comércio.  Confira o livro

Cem dias em Fotografia

lecy 19/09/2009 @ 10:24

Uma Publicação Histórica da National Geographic

O livro pode ser visualizado no site da livraria através do Google Preview

Visite o site da Livraria clicando aqui.

Uma vida de poesia

lecy 19/09/2009 @ 09:49

O livro abrange os 80 anos de atividade poética do autor, portanto, seus principais livros - A rua dos Cataventos (1940), Baú de espantos (1986), Sapato florido (1948), Espelho mágico, O aprendiz de feiticeiro (1950) Caderno H (1945-1973), Apontamentos de história sobrenatural (1976) e Nova antologia poética (1981-1985). A seleção, a cronologia e a bibliografia ficaram a cargo da organizadora da coleção; a fixação de texto, de Lúcia Rebello e Suzana Kanter; e a elucidativa apresentação, de Maria do Carmo Campos.

Poesia na Rede

lecy 18/09/2009 @ 21:51
Poesia na Rede

                                                  Lecy Pereira


O livro “Poesia na Praça Sete 1ª e 2ª edição” passa, literalmente, a rede na cidade de Belo Horizonte em busca daquelas pessoas que vertem lirismo, encanto ou desencanto além da selva de pedra, através da poesia.

 O projeto que tem como empreendedor o atuante poeta Rogério Salgado apoiado por Lei de Incentivo à Cultura, Fundação Municipal de Cultura e Prefeitura de Belo Horizonte coloca em plena Praça Sete poetas que já possuem um trabalho bem divulgado e reconhecido e outros que aspiram a uma trajetória poética.

 Desde o início do Projeto já passaram pela praça poetas , poetisas e artistas como Tânia Diniz, Lívia Tucci, Terezinha Romão, Luiz Edmundo Alves, Ricardo Evangelista, Wilmar Silva, Jackson Abacatu, Marco Llobus, Rogério Salgado, Virgilene Araújo, Rodrigo Starling entre outros tantos cujas perfomances podem ser conferidas no site www.poesianapracasete.com

Dentro do Projeto a poetisa Virgilene Araújo desenvolve a “Aula Pública de Poesia” onde qualquer pessoa, indistintamente, pode manifestar em público aquele talento poético recolhido pela timidez ou pela falta de oportunidade num mundo de correrias, responsabilidades múltiplas e compromissos inadiáveis.

Abaixo, dois poemas que dão bem o tom desse livro que pode ser lido até dentro do metrô ou do ônibus urbano de tão envolvente. Internautas interessados no livro devem enviar e-mail para pracasetepoesia@yahoo.com.br :

Poesia na Praça Sete

Palavras jorram nas calçadas

   Desviam-se dos ralos e

Escorrem para a história

Na boca do povo

A comunhão verbal

Servida numa ceia

Regada a vinho e democracia

Rogério Salgado & Virgilene Araújo

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Retrato

Pra mim

Fotografar um palhaço

É terrível

Ver o homem

Não ver a criança

Pra mim

Fotografar um palhaço

Foi terrível

Ver a maquilagem

Não me ver criança

Pra mim

É terrível

Fotografar um palhaço

Não ser criança

Ver que a fantasia... já se foi

Marco Llobus

Após o Labrinto

lecy 18/09/2009 @ 16:59

Em 'Sepulcro', duas histórias paralelas estão separadas por mais de um século. Em outubro de 1891, a jovem Léonie Vernier e seu irmão Anatole saem apressadamente de Paris para o Domaine de la Cade, a imponente propriedade da família de sua mãe, próxima da cidadela medieval de Carcassonne. O rapaz corre risco de morte e divide um segredo com sua tia Isolde, que mora no local. Logo, Léonie também terá seu segredo guardado sob a copa das árvores das florestas escuras da região, dentro da sinistra câmara mortuária que ali se esconde desde tempos imemoriais. E cuja chave é um baralho de tarô muito particular, de poder inimaginável. Mais de cem anos depois, em outubro de 2007, a bordo de um trem recém-saído de Paris, Meredith Martin tem muito sobre o que refletir. O que a leva ao Hotel Domaine de la Cade parece ser apenas a pesquisa de uma biografia do compositor Claude Debussy. Mas ela sabe que há mais - o desejo de descobrir as origens de sua família, que parecem remontar à misteriosa região. A velha partitura de piano amarelada e as fotos antigas que foram só o que sua mãe lhe deixou são a única chave de que dispõe. E as cartas, em que até então nunca acreditara.